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Revista
14/01/2008
Economia - continua tendência de crescimento em 2008

Para o economista e ex-diretor do Banco Central, Sérgio Darcy da Silva Alves, as perspectivas para 2008 são boas, com uma tendência de crescimento dos investimentos no Brasil. Sérgio Darcy trouxe para a iniciativa privada a experiência adquirida como funcionário do Banco Central onde iniciou a carreira em 1967. Em 1985, quando formou a Diretoria de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central - Dinor, em conjunto com Gustavo Loyola, ele passou a ter uma atuação expressiva na tomada de decisões do BC. De 1997 a 2006, foi o diretor da Dinor, participando ativamente de grandes debates sobre o mercado financeiro. Na entrevista que segue, exclusiva para a Revista Fomento Mercantil, o especialista faz uma análise conjuntural do possível comportamento da economia para o próximo ano.

Como foi o processo de mudança para a iniciativa privada?

Com toda a certeza tem sido muito positivo, pois verifiquei na prática que posso ser bastante útil nos debates que ocorrem nos Comitês dos quais participo, colaborando com o conhecimento adquirido ao longo de tantos anos de participação no setor governamental.

O Conselho Monetário Nacional está se manifestando sobre a regulação das tarifas bancárias. O senhor acredita que essa regulamentação virá?

Como acompanho os temas que dizem respeito aos mercados financeiros e de capitais, até em razão das inúmeras atividades que exerço no setor privado, inclusive de consultoria, não tenho mais dúvidas com relação à regulamentação, pelo Conselho Monetário Nacional, de medidas atinentes ao tema “tarifas bancárias”.

O Banco Central tem se pronunciado sobre o congelamento das tarifas bancárias, o senhor acredita que essa medida será implantada?

Uma posição de intervenção como essa não mais se coaduna com a atuação do Banco Central ou das demais autoridades monetárias do País. O que se busca, inferindose do noticiário, é um aperfeiçoamento das normas existentes, para possibilitar aos clientes das instituições financeiras melhor poder de decisão. Em resumo, uma redução da denominada “assimetria de informações”.

As tarifas bancárias praticadas no Brasil são altas quando comparadas àquelas que vigoram em outros países?

Pelas informações de que disponho, não seriam mais altas. Os Bancos brasileiros prestam hoje uma enorme gama de serviços à população, com a utilização da tecnologia em um nível acima do verificado em países considerados de primeiro mundo. O que está em debate é se os valores cobrados estão de acordo com os serviços prestados e com o nível da renda nacional.

O Banco Central se preocupa com a concorrência entre as instituições?

O Banco Central, ao longo dos anos, tem-se preocupado em elevar o nível de concorrência entre as instituições bancárias. Questões como a portabilidade cadastral, atendimento ao Código de Defesa do Consumidor, portabilidade do crédito vêm sendo debatidas, implementadas e aperfeiçoadas nos últimos 10 anos, sem deixar de lado aspectos significativos da atuação do Banco Central relacionados com a solvência e liquidez do sistema financeiro, importantes para a proteção dos depositantes e investidores. Acredito que, com a aprovação do PLS412/2003, em tramitação no Senado, que trata da transferência das questões de concorrência para o CADE, possamos ter um debate bastante positivo sobre o tema, tendo o Banco Central um papel de grande relevância para que se evite a adoção de medidas que possam parecer positivas, mas cujos resultados na prática conduzam a uma perda para a população.

Qual o foco da atuação do Banco Central no mercado financeiro?

A atuação está relacionada com a adoção de uma política monetária que mantenha a estabilidade financeira tão duramente conquistada em nosso País, e tem como uma das premissas básicas, o fortalecimento do sistema financeiro. Dessa forma, diria que a supervisão prudencial é o ponto primordial da atuação do órgão na busca da manutenção de tal objetivo. Uma atuação efetiva da fiscalização, voltada para um acompanhamento preventivo dos integrantes do mercado financeiro, da normatização, no sentido de editar normas que levem à redução de riscos e à transparência na atuação dos mesmos, e da área de autorizações, fazendo um estudo acurado dos que pretendem ingressar no sistema financeiro e um acompanhamento efetivo de sua atuação nos primeiros anos.

A criação da conta simplificada, na sua gestão como diretor da Dinor, trouxe benefícios para a população de baixa renda?

Não tenho dúvidas a respeito. A adoção da conta simplificada, que encontrou um excelente apoio para sua disseminação na existência de um instrumento aprovado em 1999, o denominado “correspondente não bancário”, hoje, com mais de 90 mil pontos de atendimento em nosso País, está sendo de grande importância para a população. Assistimos a um processo rápido de “bancarização” de uma grande parte da população desassistida nessa área, com resultados excelentes. Em meu entendimento, possibilitará o crescimento do microcrédito de forma significativa nos próximos anos, quando se formar uma base de conhecimento efetivo dessa população.

Há um aumento da disponibilidade de crédito no mercado?

É evidente o crescimento da disponibilidade de crédito no mercado, em virtude de diversos fatores, tais como a estabilidade de nossa economia, a redução das taxas de juros, o crescimento da renda real, o crescimento do nível de emprego, etc, fatores que motivaram e continuarão a motivar a atuação dos agentes econômicos nessa direção

Qual a importância do papel desempenhado pelas empresas de fomento?

As empresas de fomento comercial, inclusive nos períodos em que o crédito era escasso em nosso País, já direcionavam seus objetivos para a concessão de crédito para as micro e pequenas empresas, razão de meu empenho em debater no Congresso Brasileiro, quando exercia o cargo de diretor da Dinor, o projeto de lei que, em meu entendimento, trará maior transparência e fortalecimento daquelas sociedades voltadas para o desenvolvimento do crédito. Os dados apresentados pela ANFAC ao longo dos anos demonstram essa realidade, com um componente que julgo relevante no atendimento ao cliente, quando adicionam ao crédito concedido uma orientação sobre a atuação da empresa. Tenho uma visão positiva sobre o segmento, e continuo entendendo que a aprovação pelo Congresso de uma Lei pertinente à sua atuação será um marco que representará uma oportunidade significativa de sua expansão consistente e de forma mais transparente em nosso País.

Existe espaço para o Copom continuar diminuindo a taxa básica de juros?

Os dados de que dispomos no momento, aconselham a uma maior reflexão antes da retomada da redução da taxa básica de juros. Como sou otimista, e acredito na atuação firme e independente do Banco Central, não considero que a pausa será muito longa, e teremos boas notícias no decorrer do segundo trimestre de 2008.

Quais as expectativas da economia brasileira para 2008?

Em meu entendimento continuam muito boas, com nosso nível de exportação bastante representativo do quadro internacional, que apesar dos percalços continua se mostrando impulsionador das economias emergentes. Aliado a isso, verificamos o fortalecimento significativo de nosso mercado interno, pelas razões anteriormente mencionadas.

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