De onde vem a energia? O que é feito dela?
A quem beneficia? Como impacta o meio ambiente?
Como o fomento mercantil atua nesse setor?
A recente descoberta da nova jazida de petróleo localizada na área de TUPI na Bacia de Santos, levanta questionamentos sobre quais serão as mudanças e melhorias que isto trará para o País. A jazida foi considerada pela estatal Petrobras como a maior do Brasil. Estima-se que o bloco terá capacidade para aumentar em mais de 50% as reservas brasileiras. A Petrobras opera 65% desta área dividindo-a com mais duas empresas privadas estrangeiras. Segundo a estatal, pode haver na região um potencial de exploração de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo e gás. Essa perspectiva tem gerado entusiasmo por parte do governo, que anunciou inclusive que o País poderá se tornar um importante exportador do produto e já faz planos com os futuros royalties.
Na teoria, as previsões elevam as jazidas de óleo e gás do País à 9ª posição entre as maiores do mundo, comparáveis às de países como Venezuela, Nigéria e Kuwait. Em um contexto em que o mundo todo vive uma transição energética do petróleo, para fontes alternativas,
e em que o Brasil se vê imerso numa crise causada pela dependência do gás boliviano e, ao mesmo tempo, emerge como uma potência global do etanol, essa descoberta pode redesenhar completamente o panorama da energia nacional.
Entretanto, como o petróleo está em áreas muito profundas, a Petrobras ainda precisa furar mais dez poços para se certificar se a exploração é economicamente viável. Com isso, os
dirigentes da estatal acreditam que, caso a capacidade desta reserva se confirme, a produção no local só deve começar mesmo em 2013. Ainda assim, o lucro não deve ser somente do
País, pois hoje metade das ações da Petrobras está na mão de acionistas estadunidenses.
Alternativas energéticas
Diante desse contexto, especialistas vêem o entusiasmo do governo em torno da notícia com cautela e defendem que é preciso se pensar em alternativas mais imediatas e concretas que garantam a independência e segurança energética do País. Muitos têm alertado
que o Brasil é ainda demasiadamente dependente do petróleo, pois seus derivados não movem apenas automóveis, mas também caldeiras e, assim, parte considerável da produção
nacional. Com isso, enquanto o País não for auto-suficiente em petróleo, a economia fica vulnerável ao preço do produto internacional, que tem apresentado perspectivas de subida vertiginosa de preços, o que acaba influenciando também os preços de derivados como o plástico e outros produtos essenciais para a indústria brasileira.
O setor sucroalcooeiro: a atuação do factoring
Como forma de diminuir a dependência do petróleo no fornecimento de combustíveis, um dos setores que tem recebido ampla atenção por parte do governo federal é o setor sucroalcooeiro, apontado como uma alternativa estratégica para a garantia de energia para o
País, através da produção de etanol ou biocombustível, como tem sido chamado. Apesar disso, faltam políticas mais concretas para se alavancar o setor.
“Deus pode, de fato, ser brasileiro”
The Economist
Em reportagem publicada sobre a nova jazida brasileira em Santos, a revista britânica, The Economist, faz referências aos privilégios naturais brasileiros, afirmando que as florestas do Brasil são as maiores do mundo, que o solo é fértil, e que nossos minerais são matéria-prima para o acelerado crescimento da China.
A revista diz ainda que o País está a caminho de se tornar uma superpotência de energia alternativa.
A tudo isto, diz a The Economist, soma-se agora a descoberta de pelo menos cinco a oito bilhões de barris de petróleo, que é um tipo menos oneroso para refinar e, por isso, mais valioso. |
Embora, com apenas metade de sua cana, o Brasil tenha potencial para substituir mais de 40% da gasolina comercializada internamente, o consumo de álcool no País ainda é pouco expressivo.
Isso porque o governo tem investido no incentivo para a produção do etanol que está em franca expansão em todo País, mas não para o seu consumo.
Por isso, de acordo com o presidente do Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring de Alagoas e Sergipe – SINFAC-AL/SE, Luiz Alberto Villar de Carvalho, para se ter uma indústria tecnicamente qualificada, com os menores custos e um grande potencial para aumento da produção, alguns desafios estão colocados e exigem uma ação planejada contínua e conjunta do Governo com o setor privado.
Em Alagoas, o setor sucroalcooeiro juntamente com o turismo são os pilares da economia do estado. Luiz Alberto afirma que a produção de cana-deaçúcar tem expandido rapidamente não só no estado, mas por todo País devido aos fortes incentivos do governo.
Entretanto, ele explica que o forte crescimento do setor, inclusive devido à entrada de diversas multinacionais neste mercado, tem gerado uma super oferta da cana, enquanto o consumo permanece estável, o que prejudica os preços. Mas segundo Luiz Alberto, “é
preciso se reconhecer que o País hoje domina a tecnologia da produção do etanol e em alguns anos isso vai trazer impactos realmente significativos para a Economia”.
Factoring fomenta cadeia produtiva do setor
O factoring na região Nordeste fomenta diversas indústrias fornecedoras das usinas de álcool. Segundo o presidente do SINFAC-AL/SE, no período da entre safra da cana-deaçúcar, o maquinário da usina é totalmente desmontado para sua manutenção que demanda uma série de produtos como rolamentos, óleos, produtos químicos e de engenharia mecânica além de serviços diversos fornecidos por empresas clientes do factoring nos estados.
No Rio de Janeiro, também há uma grande expansão da produção de canade- açúcar com o objetivo de se produzir álcool. O presidente do SINFACRJ, Flávio Lacerda, explica que, embora o setor do fomento mercantil não atue diretamente junto às usinas, ou aos produtores de cana-de-açúcar, ele é fundamental para a cadeia produtiva que alimenta o setor sucroalcooeiro da região. “São empresas de transporte, de pneus, de uniformes, entre
vários outros negócios da área de logística que contam com o apoio do setor de factoring para se desenvolverem e possibilitarem o crescimento das usinas de álcool”.
De acordo com Flávio, a vocação do factoring no Brasil é essencialmente o fomento de micro e pequenas empresas na área industrial. “As operações de factoring nesse setor se concretizam no processo de aquisição de matérias-primas, transformação, venda e em seguida, liquidação, é um processo mais tangível”, afirma.
Ele explica que no caso do setor sucroalcooeiro existe um processo mais complexo. “Esse segmento requer um cuidado e uma expertise própria. Se o cliente for o produtor rural, após a fase de investimentos, compra de insumo e preparo da terra, existe uma série de intempéries climáticas que podem interferir na colheita da safra, problemas com pragas e questões de logística próprias que nós não conhecemos
a fundo. Por isso, aqui na nossa região, ainda não há muitas empresas praticando nesse setor”.
Com relação às descobertas das novas jazidas de petróleo em Santos, Flávio afirma que o setor de fomento vai ser significativamente envolvido e beneficiado. Apesar de a exploração só se iniciar daqui a uns cinco anos, até lá, toda logística necessária à cadeia de exploração, produção e comercialização do petróleo precisa estar pronta e, por isso, muitas indústrias envolvidas na produção de infra-estrutura já começam a movimentar a economia e gerar uma série de negócios como na área de maquinário, equipamentos de segurança, transportes, prestação de serviços diversos, e é aí que o factoring está presente fomentando diversos setores. “Onde há surgimento de novos negócios, o factoring está junto, contribuindo para alavancar a economia”, acrescenta Flávio.
Produção de Etanol
Ao contrário do que acreditam alguns setores da sociedade, a produção de alimentos, como o cultivo de cereais e suplementos básicos para a população, não tem sido prejudicada pelo cultivo da cana-de-açúcar para a produção de etanol.
O relatório divulgado pela a Organização das Nações Unidas – ONU,sobre o “Direito ao Alimento”, onde existe uma afirmação de que “os biocombustíveis são responsáveis por aumentos significativos nos preços dos alimentos, podendo levar a fome
aos países pobres”, não se aplica à realidade brasileira.
De acordo com os membros da União da Indústria da Cana-de-Açúcar – Unica, o relatório não reflete a realidade nacional. Segundo o presidente da Entidade, Jean Ziegler, que enviou uma carta a ONU, pedindo a revisão do relatório, “o problema da fome no Brasil, na verdade, é a falta de uma melhor distribuição de renda”. Ziegler destaca na carta que o Brasil é um exemplo de País que consegue produzir alimentos e biocombustível de forma competitiva e sustentável social e ambientalmente e, com isso, reduz a pressão que existe, hoje, sobre o preço do petróleo.
Para o presidente do SINFACAL/ SE, Luiz Alberto, dificilmente a produção de cana-de-açúcar vai comprometer a produção de alimentos pois cada região tem sua vocação agrícola, cada terra é propícia a um tipo de cultivo e, por isso, não deve haver um desequilíbrio na diversidade dos produtos agrícolas.
Potencial hidrelétrico
Além do petróleo, contudo, o Brasil conta em grande parte com a hidroeletricidade - isto é, energia elétrica de fonte hídrica. Ao longo dos últimos 30 anos, foram construídas inúmeras hidrelétricas no País que geram volumes consideráveis de energia, capazes de ‘alimentar’ fábricas e residências de todo território nacional. Mais recentemente, foi aprovada a construção das duas hidrelétricas do Rio Madeira, de Jirau e Santo Antônio em Rondônia. Segundo informações do governo, estas hidrelétricas garantem o fornecimento seguro de energia para o País até 2011.
Apesar do susto vivido em função do “apagão energético” em 2001, neste setor não há dependência, como no caso do petróleo. O grande problema das hidrelétricas, entretanto, é que a construção das barragens gera graves impactos ambientais como morte de peixes, e fauna em geral, além da retirada da população ribeirinha da região onde as hidrelétricas
são construídas. A energia gerada por estas hidrelétricas e a energia combustível produzida pelo petróleo têm finalidades distintas, entretanto, a auto-suficiência de ambas é imprescindível para alicerçar o desenvolvimento econômico pelo qual o País está passando. |