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Revista
17/03/2008
O Factoring Internacional abre suas asas sobre a América Latina

O Factoring Internacional abre suas asas sobre a América Latina

Entre os dias 21 a 27 de outubro de 2007, aconteceu no Chile, a reunião anual do Factors Chain International – FCI, maior associação de factoring internacional do mundo, onde se reuniram mais de 200 empresas de factoring de mais de 55 países.

Importante salientar a participação de países como Bulgária, China, Colômbia, Croácia, Chipre, República Tcheca, Egito, El Salvador, Estônia, Hungria, Islândia, Israel, Líbano, Lituânia, Malta, Panamá, Peru, Polônia, Romênia, Ucrânia e Emirados Árabes, países que estão desenvolvendo suas indústrias de factoring e participando de eventos como este, com o intuito de incrementar os negócios internacionais.

Com a diminuição do crescimento do PIB mundial em 2008, os países emergentes passam a ter uma maior relevância, com destaque para a América Latina, que participa há vários anos desta organização com representantes do Chile, Brasil, Argentina e México.

A celebração desta janela de oportunidades veio com a eleição do Alberto Widerka, presidente da Factoring do Banco Galícia da Argentina, como presidente do Factors Chain International por dois anos consecutivos, tendo vencido as eleições, a qual concorria com o americano Peter Monroel, diretor da maior factoring do mundo, a CIT Group.

O evento propiciou, além da confraternização entre os empresários do setor, a discussão sobre os principais produtos que podem ser oferecidos pelas factorings, sobre o desenvolvimento de operações via web, custos, preços dos serviços, vantagens e desvantagens da associação das empresas de factoring aos bancos - como departamento de um banco ou como uma instituição independente -, entre outros importantes temas.

O crescimento da Indústria do Factoring, tanto o doméstico como o Internacional, continua alto, 24,82% de 2006 para 2007 e a tendência é de manutenção deste índice. No entanto, em função do incremento no risco das operações, há a necessidade de acompanhar, de perto, as operações dos clientes, pequenas e médias empresas.

Os bancos deverão reduzir o volume de empréstimos às pequenas e médias empresas de maneira geral, afetando a liquidez do mercado e encaminhando estas para as empresas de fomento, que são especializadas em atender a este segmento. Neste momento, como diz o jargão do factoring, tem que se estar com a mão no pulso do cliente, verificando a sua pulsação.

No Brasil, as empresa que estão realizando operações de factoring internacional são a Exicon S/A de Porto Alegre, pioneira na operação e atuante desde 1998 e a Redfactor de São Paulo, que se associou à FCI, em 2006.

Quando falamos em factoring internacional, não podemos deixar de referenciar a FCI, por se tratar da maior e mais qualificada associação de empresas de factoring do mundo. Com sede em Amsterdã, na Holanda, foi fundada em 1964 por instituições financeiras européias, que têm por objetivo reunir empresas em diversos países que promovam operações de fomento mercantil, transferência e cobertura de risco de crédito internacional em exportações. A Associação tem ainda a missão de padronizar e regulamentar o procedimento pelo qual essas operações são cursadas.

<p>Em linhas gerais, a FCI busca criar uma espécie de corrente mundial entre seus associados e regular, entre outras atividades de fomento mercantil no comércio internacional, o estabelecimento de linhas de crédito para administração, cobertura e transferência de risco de crédito de importadores para um associado no país importador - o chamado, FCI factoring importação - em beneficio de outro associado sediado no país do exportador - o FCI factoring exportação.

Desta forma, o associado da FCI pode atuar como factoring importação, assumindo riscos de importadores no país onde está situado, ou como factoring exportação financiando e gerando negócios para os garantidores factorings de importação.

Os pagamentos das garantias em casos de inadimplemento se dão em até 90 dias após o vencimento da fatura e são de 100% do valor exportado.

A Exicon iniciou no factoring internacional prestando serviços de cobertura de risco de credito à exportação como factoring de exportação e, hoje, com o crescimento das importações brasileiras, tem atuado também como factoring de importação, prestando os serviços de análise de credito e cobrança para empresas de factoring do grupo FCI.

No Brasil, os obstáculos para o crescimento do número de empresas atuantes no factoring internacional são muitos. Para se associar à FCI é necessário ter um capital social de R$ 4.000.000,00, se submeter a um curso de operador de factoring internacional - realizado em inglês -, treinar o pessoal de vendas com cursos realizados pela Associação, assim como um funcionário especializado na transferência das operações via sistema EDI, obrigatoriamente em inglês.

Além do alto investimento no pessoal, pois estas exigências significam viagens e treinamento no exterior, existe a questão da legislação cambial brasileira, altamente burocrática e com inúmeras restrições. Diante disso, para que o factoring internacional possa realmente abrir suas asas no Brasil e fomentar as pequenas e médias empresas do País é de suma importância aprovarmos a lei que regulamenta a atividade.

* Alexandre Bücker é empresário de Factoring

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