As empresas brasileiras estão deixando de pensar somente na maximização do lucro para investir em ações sociais. E cada vez mais, empresas de factoring estão
fazendo a sua parte, apostando na responsabilidade social. Um exemplo de trabalho e engajamento é a On Line Sociedade de Fomento Mercantil, situada na cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Associada à ANFAC desde 1997, ela apóia e mantém os projetos sociais da organização não governamental, Associação On Line, junto com outras seis instituições parceiras. Criado em 2007, um dos programas é o “Natação para Todos”, que beneficia 150 alunos carentes da Rede Municipal de Ensino de Novo Hamburgo, com idades entre sete e 14 anos.
Para participar do projeto, as crianças e os adolescentes não podem faltar à escola ou ao projeto, durante três vezes consecutivas, sem ter uma justificativa. Caso isso aconteça, a vaga é destinada para outro aluno que aguarda ingressar no programa. A natação é realizada três vezes por semana, no turno inverso da escola, na piscina do Sindicato dos Comerciários. As aulas são divididas nos módulos iniciante e avançado, nas quais três professores se revezam nos ensinamentos dos futuros atletas, como é o caso do aluno Nicolas Silva Becker, de apenas sete anos, que é considerado uma das apostas do projeto. O pequeno nada sem menor esforço 50 metros da piscina olímpica nos estilos crawl, costas, peito e borboleta. O “Natação para Todos” também atende crianças portadoras de deficiências físicas, mentais e de coordenação motora.
O sócio da On Line Sociedade de Fomento Mercantil, Everton Cury, revela que o programa também conta com uma equipe de 81 atletas, de sete a 54 anos de idade, entre nadadores de prova de piscina e de travessias no mar, além de triatletas que participam de provas nacionais e internacionais. As equipes já conquistaram diversas medalhas, como é o caso do bicampeão mundial de duatlo (corrida e ciclismo), Jonas Araújo, de 24 anos, e ainda vice-campeão mundial na Itália, em 2008, e campeão na prova de triatlo (corrida, ciclismo e natação) internacional de Santos, no litoral de São Paulo, em 2009.
O atual campeão do Circuito Mercosul de Travessias, de 3 mil metros, que ocorre no litoral de Santa Catarina, é Gabriel Cury, de 19 anos, também da equipe da On Line. Já a nadadora Mariana Cury, de 16 anos, foi a primeira mulher a chegar entre todas, nos 2 mil metros, durante a 27ª Travessia de Torres, no litoral do Rio Grande do Sul. O treino ocorre seis dias por semana na sede do Sindicato dos Comerciários e no parque aquático do Colégio Marista Pio XII, de Novo Hamburgo, um dos apoiadores da equipe.
Outro programa que tem feito a diferença é o Projeto Social de Mini-Vôlei Itinerante aberto a todas as escolas municipais da região, no qual são disponibilizados às crianças kits com quadras e bolas de vôlei e monitores que acompanham a garotada nos treinamentos. Todos os projetos sociais são gerenciados pela On Line Sports, que atua no mercado de marketing esportivo e executora de eventos e programas sociais. Na sede da entidade funciona
a Academia On Line Fitness, onde os atletas podem praticar musculação e ginástica com acompanhamento de fisioterapeuta, nutricionista, médico ortopedista e professores de Educação Física.
O empresário Everton Cury aponta que cada empresário deve analisar a vontade de poder auxiliar alguém que não dispõe dos mesmos recursos financeiros. E por meio do esporte ele conseguiu desenvolver um trabalho social. “Adoto como filosofia de vida investir nas pessoas. Cada real que se investe no esporte, nós conseguimos afastar muitas crianças carentes da marginalidade. Não existe nada que integre mais e diminua a diferença social do que a prática esportiva.”
Como fazer o social?
A diretora da empresa Signi Estratégias para Sustentabilidade, de Porto Alegre, Cristiane Ostermann, acredita que “tratar bem as pessoas e entender com profundidade o conceito de Responsabilidade Social é um bom começo” para uma empresa iniciar na prática as ações sociais. Cristiane frisa que a Responsabilidade Social Empresarial é sim uma forma de gestão, na qual a empresa, com ética e transparência, se relaciona com as suas várias partes interessadas (comunidade, público interno, meio ambiente, governo e sociedade, fornecedores, clientes, entre outros), ou seja, não está vinculada a um departamento ou a um tipo de ação da empresa e sim, à gestão de negócio.
Cristiane informa que qualquer empresa, independente do porte ou faturamento, pode promover ações de cunho social. Porém, complementa “se a responsabilidade
social não estiver no DNA da empresa, ações isoladas podem não se configurar como socialmente responsáveis. O que é feito para fora tem que ser feito para
dentro também. Se não, pode se configurar com uma estratégia de marketing”. O maior desafio para as empresas interessadas em implantar ações sociais é definir um foco para o investimento, alinhado ao negócio da empresa, define a empresária. “Além disso, é preciso profissionalismo e trabalho em rede, do qual a empresa é mais um ator, além dos governos e da sociedade.”
O vice-presidente corporativo da ANFAC para Responsabilidade Social, Alexandre Dumont Prado, também defende que não se pode fazer do trabalho social
uma ação de marketing, e muito menos uma promoção pessoal. É preciso assumir uma ação e estar à disposição. “O empresário não vai solucionar o problema do mundo, mas vai ajudar aquela comunidade, para que tenhamos uma sociedade mais fraterna. O objetivo tem que ser o ser humano, o bem-estar do nosso semelhante.” Ele aponta que os sindicatos de fomento mercantil podem também fazer a sua parte, divulgando e incentivando que empresas de factoring participem de iniciativas de Responsabilidade Social Empresarial. |