Ainda não se chegou à exploração do que existe no pré-sal, mas já surgem inclusive expectativas de que haja petróleo em camadas ainda mais profundas, no
Nordeste brasileiro, especialmente na Bahia. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, espera que o projeto do novo Marco Regulatório do setor, que já
está no Congresso nacional, seja votado nos primeiros dias de novembro. “Nós temos possibilidade de encontrar grandes reservatórios de petróleo em muitas
áreas brasileiras, segundo os estudiosos desta matéria.” A Petrobras já trabalha associada a outras empresas na exploração de petróleo em até 11,5 mil metros
no mar do Golfo do México. O pré-sal está em camadas de 5 mil a 7 mil metros de profundidade.
Pelo projeto, passaria a ser adotado o sistema de partilha para o petróleo do pré-sal, com a cobrança de bônus de assinatura nos leilões, diferentemente do
que ocorre nos modelos vigentes em outros países. Para a realização dos leilões, também seria necessária a aprovação do CNPE (Conselho Nacional de Política
Energética). A Petrobras já é operadora em mais de 80% de todos os campos atuais, “que não são iguais, nem tão generosos como os do pré-sal. Se ela é capaz
de operar em mais de 80% dos campos, por que não pode operar em 100% do pré-sal?”, indaga. O marco legal para as atividades de exploração e produção de
petróleo e gás natural em vigor é regido pela Lei nº 9.478, de 1997 a Lei do Petróleo. Quando concebida, ela considerava um cenário em que o país possuía
pouca produção, tendo que importar cerca de 40% do petróleo consumido. A exploração das bacias sedimentares era, então, uma atividade de risco elevado.
O ambiente decorrente da Lei do Petróleo modificou esse contexto, ao permitir a atração de investimentos e a evolução destacada do setor ao longo da década
seguinte. Nesse período, as licitações para exploração e produção de petróleo e gás, promovidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis, tinham como objetivos principais assegurar o atendimento da crescente demanda interna por petróleo e gás natural; repor e ampliar as
reservas nacionais, com a meta de aumentar a produção futura; e diminuir a dependência externa. Esses objetivos foram alcançados em 2006, quando o Brasil
tornou-se autossuficiente na produção de petróleo.
Em 2007, a Petrobras anunciou a descoberta de petróleo leve e gás natural na Bacia de Santos, com enorme potencial de reservas e boas perspectivas de
recuperação, nos sedimentos situados abaixo de uma espessa camada de sal, região esta denominada Pré-Sal. A descoberta representou a possibilidade de
aumentar significativamente suas reservas, de modo a atender com folga a demanda interna, e, também, posicionar-se como importante exportador de petróleo.
Na defesa da proposta, o ministro esclarece que, ao estabelecer o bônus de assinatura para o regime de partilha, o governo objetiva antecipar recursos.
Assim, o consórcio vencedor apresentaria seu bônus de assinatura, mas desconta da partilha. “Em lugar de conceder 80% de partilha para a União, eu dou 75% e
o bônus de assinatura. É uma forma de adiantar recursos que viriam quatro ou cinco anos depois. O Brasil tem pressa para transformar-se em país desenvolvido,
moderno, com a superação de desigualdades e injustiças que, há tanto tempo, clamam por solução. Com base nisso, o que propomos é o fortalecimento do pacto
federativo, mediante a distribuição das riquezas nacionais com todos os Estados e municípios da Federação”, destaca ele. O petróleo da camada pré-sal será
economicamente vantajoso se o preço do barril tiver um piso de US$ 35. Depois de alcançar a faixa dos 150 dólares, o barril do petróleo está hoje
estabilizado em torno dos 65 dólares. Não obstante a crise econômica, o mundo apresenta uma demanda crescente por energia, devendo o petróleo continuar por
décadas como uma das principais fontes para a maioria das nações.
A expectativa é de que a nova província do Pré-Sal posicionará o Brasil entre os dez países com as maiores reservas de petróleo e gás natural. O quadro que
se vislumbra no curto prazo é altamente promissor, embora os desafios tecnológicos e de logísticas sejam gigantescos: a grande distância da costa; a
profundidade dos reservatórios; a dimensão da lâmina d’água; e a espessura da camada de sal. Sua exploração vai demandar um volume monumental de recursos, o
que constitui um desafio. Mas o modelo regulatório vigente não permite ao governo promover uma gestão estratégica adequada das atividades de exploração e
produção de petróleo e gás natural. No Brasil, vigora o regime de concessões. No entendimento da Comissão Interministerial, o modelo mais apropriado ao
Brasil, diante das atuais perspectivas para a indústria do petróleo no país, é o regime de partilha de produção. Por manter-se proprietário do óleo
produzido, diferentemente do que ocorre no regime de concessão, o Governo exerce maior gerenciamento sobre a produção. |